As Marvels é importante, mas ‘basiquismo’ atrapalha a sua pretensão [COM e SEM SPOILERS]
Após “Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania” e “Guardiões da Galáxia Vol. 3“, As Marvels chega como terceiro e último longa da Marvel Studios para 2023. Sem grandes expectativas vindas dos telespectadores, o filme sequência de “Capitã Marvel” e “Miss Marvel” passou despercebido na comunidade cinéfila, grande razão pela greve dos atores de Hollywood – que se encerrou depois de meses – que impediu forçadamente que artistas cênicos divulgassem seus filmes e dado ao histórico terrível que a Marvel está alcançando na Saga do Multiverso, repleto de produções abaixo do espectro mediano e corroborando para achismos equivocados de um possível sucateamento do gênero de super-heróis na Indústria.
Com sua estreia acontecendo no dia 9 de novembro, o Nerds da Galáxia conferiu As Marvels antecipadamente e trará uma crítica COM e SEM spoilers, analisando não só a qualidade narrativa, mas também a quaidade das informações e o impacto trazido ao UCM.
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Nota: A crítica consiste em uma opinião do escritor e não deve ser considerada absoluta e/ou uma resposta definitiva para a sua dúvida sobre assistir ou não à obra. Sempre priorize ver para estimular o trabalho dos realizadores e desenvolver sua formação de opinião.
Enredo de As Marvels
O enredo de As Marvels aborda eventos sequência de “Capitã Marvel“, de 2019, e “Miss Marvel“, de 2022 – não muito “WandaVision”, uma vez que só são claras alguns ensejos de referência trazidas pela personagem Monica Rambeau – com seu codinome Espectro. Carol Danvers mora numa espaçonave à beira do universo ao lado de Goose e vê um chamado de pico de energia em um planeta, que logo percebe ser um ataque Kree. Também no espaço simultaneamente, Monica trabalha em uma missão de conserto para a S.A.B.E.R; enquanto Kamala Khan está em casa, escrevendo fan-fics de uma parceria envolvendo a heroína e a Capitã Marvel.
As três heróinas se veem entrelaçadas pelo caráter de seus poderes: todos compostos por luz, graças a um buraco de minhoca anormal causada por uma revolucionária Kree – Dar’Benn. O resultado gera uma troca instantânea de lugares entre elas assim que usam seus poderes ao mesmo instante.
Com esta ameaça e ligação, Capitã Marvel, Miss Marvel e Monica Rambeau terão que impedir a instabilidade do universo que será causado pelas pretensões de Dar’Benn. Também como dito, há uma pegada temporal aliado à Saga do Multiverso em As Marvels, não relacionada a viagens no tempo. Nick Fury e alguns cameos da Marvel Studios aparecem também.
Crítica SEM spoilers
As Marvels, em tópico geral, se une ao pantalão de filmes medianos da Marvel Studios, que se fomos parar para refletir, é a maioria dentro das 33 produções – até então – do Universo Cinematográfico da Marvel. Enquanto a boa química entre as protagonistas – principalmente a atuação e a presença de Iman Vellani -, boas cenas de luta e CGI e uma proposta interessante quanto ao tema que guiará esta nova Saga são pontos positivos de As Marvels; a extrema falta de profundidade, vontade e clareza vindas totalmente do roteiro de As Marvels, escrito pela diretora Nia DaCosta (“A lenda de Candyman”) ao lado de Elissa Karasik (“Loki”) e Megan McDonnell (“Wandavision”), tornam a imersão uma complicada missão para os telespectadores.
Entre os pontos negativos, os que mais se destacam são as cenas super apelativamente cômicas – momentos em que os roteiristas imploram por um contexto humorístico para tirar umas gargalhadas da platéia, bem típico Disney -, a rapidez dos acontecimentos – que geram informações sem clareza alguma e que até colocam em cheque fatos já mencionados em outras produções da Marvel – e a falta de propósito vinda tanto da vilã principal quanto da ligação entre as personagens.

Mirando mais no detalhismo: falando sobre o primeiro tópico acima, senti muito desconforto principalmente nas cenas de preparo entre as heroínas e o momento musical do filme. Por mais que as cenas de ensaio elucidam uma importância sobretudo no caráter solitário de Carol Danvers, pelo seu fardo poderoso e até por experiências negativas vividas recheadas de mortes e enganação, o humor infantil não combina nem um pouco com a construção da Capitã Marvel de Brie Larson e com da Monica Rambeau de Teyonah Parris, desvirtuando totalmente da personalidade das duas, ao estilo “Thor: Amor e Trovão”.
Já a cantoria é uma clara referência muito bem adaptada dos quadrinhos, por sinal, porém se é para ser uma ideia muito fora da caixinha, precisaria ser mantida e mais trabalhada – o que não aconteceu, é claro.

Inclusive, citando a diferente postura de Capitã Marvel, a heroína foi completamente inconsistente e instável, taxada explicitamente como bobalhona, algo que não só não casa com o que foi mostrado até então nas produções da Marvel Studios, mas principalmente com o posto dela – de uma das mais fortes do UCM – e pela atuação/postura da atriz Brie Larson, que continua satisfatória. Posso dizer as mesmas palavras para a Monica Rambeau de Parris, mas o caso dela é mais abafado por ser uma personagem muito nova no Universo. Não parece que é uma sequência da Capitã Marvel.
O grande problema de As Marvels – e da própria Marvel Studios por inteiro – é estritamente o trabalho dos roteiristas, que ou são preguiçosos e não qualificados para tal, ou não possuem nenhuma liberdade frente aos executivos da Marvel/Disney que só pensam em fazer um “arroz com feijão”, mirando mais suas ganâncias – e, se for para chutar um, vou com os olhos fechados na última.

Quanto à rapidez, As Marvels levanta diversas pautas que não conseguem conversar com as 1h40 de duração: as consequências dos Kree sobre os acontecimentos de “Capitã Marvel“, as consequências para a Capitã Marvel em seu filme solo, a relação conturbada entre Carol e Monica, a nova relação da Kamala com Monica, o sonho de Kamala em conhecer a Capitã Marvel, a origem da Dar-Benn e suas motivações, richa entre os Kree e Skrulls, e a trama em si do filme. Tantos direcionamentos legais e outros irrelevantes que foram todos engobados e substituídos por cenas extensas de lutas e tentativas de humor fracassadas. A Marvel Studios não sabe mesmo fazer produções decentes com tal formato curto.
Por último, um ponto negativo que deve ser destacado em As Marvels envolve a pauta sobre a origem e as motivações de Dar-Benn, que não se sustentam e é totalmente repetida – tanto em sua arma e figurino, que são cópias de Ronan (“Guardiões da Galáxia”; “Capitã Marvel”), quanto em motivação pela repulsa à protagonista.

Complemento, COM spoilers
Você foi avisado! Leia abaixo por sua experiência em risco
Agora falando sobre cenas em específico de As Marvels, ainda no direcionamento negativo sobre o roteiro, o filme tenta ser importante ao Universo Cinematográfico da Marvel – e que acaba sendo – sem nenhum respaldo contextual. Isto é, traz alguns importantes acontecimentos que impactarão no UCM sem ter necessidade de ter feito isso agora, sem nenhuma construção prévia de contexto/andamento/fase da Marvel Studios no lado urbano.
Um dos exemplos é o final do filme, com a Kamala Khan roubando uma tecnologia da S.A.B.E.R e encontrando a Kate Bishop (Gavião Arqueiro) para formar um time – possivelmente o “Jovens Vingadores“, com uma cena cômica imitando o mesmo discurso de Nick Fury na cena pós-crédito de “Homem de Ferro”. Cena super importante para o que pode ser esperado nas aventuras urbanas da Marvel Studios, em ritmo de quase conclusão para o desfecho final e para uma possível (e certa, em breve) produção dos Jovens Vingadores, que falta ser anunciada pelo estúdio.
Mas qual é a necessidade de agora a Miss Marvel buscar heróis para formar esta equipe? Sobre qual necessidade? Só porque se aventurou pelo espaço com a Capitã Marvel? Não faz sentido, sendo um elemento empurrado artificialmente pelos executivos para demonstrar importância do filme e não ser esquecível. O cameo estilo Jequiti da Valquíria reforça exatamente isso.

O outro paralelo é a cena pós-crédito de As Marvels, com a Monica Rambeau se sacrificando e ficando presa a uma realidade distinta. Acordando, ela percebe estar em um local que está monitorando-a. Além de ver sua mãe como uma Capitã Marvel, ela encontra o Fera, que justamente está buscando entender sua presença a esta realidade. No final, o mutante diz que o “Charles quer vê-la”, também sendo uma referência ao Professor X e à sede dos X-Men finalmente inseridos na Marvel Studios.
Apesar de tanto aguardado, a introdução dos mutantes poderia ser em uma escala maior do que uma simples cena pós-créditos, podendo ser no meio de um grande filme, como “Deadpool 3”. E que fique registrado meu elogio à decisão de inserir os X-Men como parte de outra realidade, podendo focar no grupo e no seu desenvolvimento sem preocupação com os acontecimentos da Marvel Studios.

Porém, voltando aos pontos positivos, a trama de As Marvels envolvendo essa bagunça entre diferentes realidades foi bem positiva. É estranho pensarmos que menos de 10 produções da Marvel Studios falam sobre multiverso, linhas temporais ou diferentes realidades, levando em conta que a grane alcunha por trás da nova Saga da Marvel tenha “Multiverso” em seu nome.
Cada vez mais as produções, mesmo que em um contexto urbano, tem que abordar a riqueza do recorte, justamente por suas sequelas serem impossíveis de não ser sentidas/vistas. Principalmente com o gancho de “Loki“, mostrando mais heróis inseridos em outras realidades, para que depois todos se juntam em “Guerras Secretas”, é uma escolha narrativa muito boa para estes heróis mais urbanos.

Conclusão de As Marvels
As Marvels é um filme muito mediano e instável para grandes fãs da Marvel Studios. Para aqueles que não têm um pacto forte com o UCM, o filme será impossível de ser visto dado à necessidade dos eventos de “Capitã Marvel”, “Miss Marvel” e “WandaVision” e a falta de um resumo mais preocupado para esse público. As atrizes fazem bem seus papéis, principalmente Iman Vellani, a principal estrela daqui, com uma boa química, edição, efeitos e coreografia, mas deixa muito a desejar no roteiro, o grande antagonista da imersão, que torna os eventos muito rápidos, superficiais e confusos. Mesmo assim, As Marvels tem que ser visto por todos pela sua importância – nada natural – ao UCM. Veja na Disney Plus!
Olá, Nerds da Galáxia! Sou Enzo Sapio, vida longa e próspera! Sou um estudante de jornalismo (até dezembro de 2023) completamente enlouquecido por cinema, sempre tentando ver alguma coisa nova por aí. Sim, sou marvete assumido, pai de gatos, gamer de Playstation e jogador de RPG nas horas vagas. Além disso, gosto de ler quadrinhos e falar sobre games, tecnologia, música (sou mais do rock) e de crushs pesados em famosas nas quais nunca conhecerei. Não tenho nenhum dinheiro no bolso, devido a periféricos gamers, funko pop’s e baldes/copos temáticos de alguma coisa nerdola. Ajude um necessitado e mete um pix… ou simplesmente compartilha minhas matérias! Obrigado!





