O HOMEM DOS SONHOS (2023) | Novo filme da A24 entrega uma excelente sátira alegórica à Cultura do Cancelamento
A “Cultura do Cancelamento” surgiu com o crescimento e a difusão das redes sociais no mundo todo durante a última década. Com opiniões e pessoas sendo submetidas (com justificativas ou não) a julgamentos morais, opressões com censuras e até à exclusão social. Os seus defensores argumentam ser uma maneira de representar as minorias negligenciadas e de limitar opiniões e ações inaceitáveis. No entanto, outros indivíduos alertam que essa “Cultura” está saindo do controle e pode representar uma ameaça para a sociedade.
Diante disso, o estúdio A24 (“Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”) e o cineasta norueguês Kristoffer Borgli (“Sick of Myself”) decidiram criar uma história para “O Homem dos Sonhos” que apresentasse uma trajetória de uma pessoa comum do repentino estrelato até o seu fatídico cancelamento de um jeito especial. O filme estrelado por Nicolas Cage (“Pig: A Vingança”), Julianne Nicholson (“Blonde”), Jessica Clement (“Gen V”), Lily Bird (“Beau Tem Medo”) e Michael Cera (“Barbie”) estreará nos cinemas brasileiros em 28 de março de 2024. Mas será que o resultado é positivo? Confira na opinião abaixo:
Nota: Está é uma crítica sem spoilers, a fim de não estragar sua experiência ao assistir ao filme. A crítica consiste em uma opinião do escritor e não deve ser considerada absoluta e/ou uma resposta definitiva para a sua dúvida sobre assistir ou não à obra. Sempre priorize ver para estimular o trabalho dos realizadores e desenvolver sua formação de opinião. As informações contidas na crítica já foram apresentadas em sinopses e trailers.
Conforme a sinopse, “O Homem dos Sonhos” acompanha Paul Matthews, um pai de uma família comum que, misteriosamente, começa a ser visto por milhões de estranhos em seus sonhos. Porém, as aparições começam a se transformar em grandes pesadelos, e Paul deverá enfrentar as consequências de seu cancelamento global.

A A24 já se mostrou capaz de criar histórias com gêneros e estilos cinematográficos diferentes em seus projetos. Seja um terror sobrenatural que inova ao apresentar uma nova perspectiva adolescente, com pressão social e traumas em “Fale Comigo” ou na aventura multiversal de “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” que aborda muitas de nossas questões diárias. Dessa forma, posso afirmar que o estúdio também conseguiu com “O Homem dos Sonhos”. Em uma história que proporciona sensações conflitantes de um drama cômico que utiliza uma identidade fantasmagórica de um terror social, além de criar uma ligação profunda com o público por trazer uma perfeita sátira alegórica ao “Culto às Celebridades” e a “Cultura do Cancelamento” na era das mídias sociais.

Como dito na introdução, o cineasta Kristoffer Borgli foi o escolhido para comandar “O Homem dos Sonhos” e ele entrega uma direção muito consistente e capaz de criar momentos impressionantes de tensão e humor na medida certa, mesmo com inserções de excentricidades mais lúdicas na conclusão da história. E com a ajuda da excelente direção de fotografia, feita por Benjamin Loeb (“Mandy: Sede de Vingança”), as cenas são planejadas com ângulos e movimentos de câmeras inventivos que se harmonizam com a narrativa e a edição voraz do próprio Borgli, que consegue montar as cenas para impactar o público com um teor bizarro digno das interpretações de seu ator principal.
Falando em interpretações, os atores estão bem em seus papéis. Todos conseguem transmitir carisma, afeto, empatia e outras emoções e sentimentos em “O Homem dos Sonhos”, com destaque para Nicolas Cage como Paul Matthews. O ator se entregou de uma forma impecável a um personagem que lhe permite trabalhar com muitas nuances e claramente está se divertindo muito o construindo ao lado de Borgli.

Além de diretor e editor, Kristoffer Borgli também é o roteirista por trás de “O Homem dos Sonhos” e ele escreveu um roteiro completamente satírico. Permitindo o longa contar uma história circunstancial, cheia de alegorias e críticas sociais, da fama efêmera ao cancelamento de Paul Mathews. No entanto, os problemas começam a surgir quando as excentricidades mais lúdicas (mencionado acima) tomam proporções absurdas, desviando a história para um lado de ficção científica que ultrapassa os limites estabelecidos anteriormente pelo próprio filme, o que ocasiona em seções e elementos subdesenvolvidos e inserções nada orgânicas.

Não tem como negar que “O Homem dos Sonhos”, novo filme do estúdio A24, é um excelente filme tanto para os admiradores do estúdio quanto para aqueles que vão assisti-lo somente por puro entretenimento. E por mais que não seja perfeito, — falha ao criar seções e elementos subdesenvolvidos e inserções nada orgânicas com excentricidades exageradas. Entretanto, ele se beneficia com a atuação de Nicolas Cage, digna de sua indicação ao Globo de Ouro, permitindo a direção capacitada e o roteiro de Kristoffer Borgli fluírem bem em uma sátira cheia de alegorias e críticas sociais com o repentino estrelato ao fatídico cancelamento de seu protagonista.
O Homem dos Sonhos estreia em 28 de março de 2024 nos cinemas brasileiros e caso você já tenha assistido, comente a sua opinião sobre o filme.
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Olá, viajantes! Meu nome é Fabrizio Galluzzi. Assim como vocês, viajei para Westeros até uma Galáxia Muito, Muito Distante. Conheci os Heróis Mais Poderosos da Terra e os Grandes Deuses Nórdicos e Gregos. Porém, no meu tempo livre sou um simples aluno universitário do curso de Rádio e TV, que ama muito ir ao cinema.
O Homem dos Sonhos
O Homem dos Sonhos acompanha Paul Matthews, um pai de uma família comum que, misteriosamente, começa a ser visto por milhões de estranhos em seus sonhos. Porém, as aparições começam a se transformar em grandes pesadelos, e Paul deverá enfrentar as consequências de seu cancelamento global.