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O MANDALORIANO E GROGU (2026) | Novo longa de Star Wars entrega espetáculo visual, mas ainda passa longe do grande retorno triunfante que a franquia busca nos cinemas

The Mandalorian and Grogu official artwork Disney

Durante anos, cada novo capítulo de Star Wars parecia um acontecimento inevitável na cultura pop. Bastava poucas palavras de George Lucas ou um rumor para transformar o entretenimento em um enorme hiperdrive coletivo. Mas o tempo passou, o mercado mudou, Lucas vendeu a Lucasfilm, e a Disney precisou encontrar novas maneiras de manter viva uma das franquias mais importantes da história do cinema.

É justamente nesse cenário que surge O Mandaloriano e Grogu, produção que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (21) como uma continuação direta da série The Mandalorian, fenômeno responsável por apresentar ao mundo o grande caçador de recompensas Din Djarin (Mando) e seu pequeno aprendiz Grogu (Baby Yoda). Entre nostalgia, expectativa e o peso de carregar um universo gigantesco nas costas, o longa também marca o retorno de Star Wars às telonas após anos de ausência desde Star Wars: A Ascensão Skywalker.

Vídeo: “Trailer Oficial 2 de O Mandaloriano e Grogu” – (Star Wars Brasil/Disney Studios Brasil).

Por trás da nova aventura está Jon Favreau, nome que ajudou a moldar diferentes eras do entretenimento blockbuster moderno. Foi ele quem iniciou o Universo Cinematográfico Marvel com Homem de Ferro e também comandou o remake em CGI de O Rei Leão, uma das maiores bilheterias da Disney.

Agora, Favreau assume a difícil missão de transformar a estrutura seriada de The Mandalorian em uma experiência cinematográfica capaz de sustentar o legado técnico e emocional de Star Wars. E é justamente nessa transição que mora a grande pergunta por trás do filme: será que a franquia encontrou um novo caminho para recuperar sua força nas telonas ou estamos diante de mais um capítulo perdido na vasta galáxia muito, muito distante?

Nota: Esta crítica não contém spoilers, para não comprometer sua experiência com o filme. O texto reflete exclusivamente a opinião do autor e não deve ser tratado como uma verdade definitiva sobre a obra. Sempre que possível, assista ao filme para formar sua própria opinião e apoiar o trabalho dos realizadores. Todas as informações mencionadas já foram divulgadas em sinopses e trailers.

Existe algo particularmente melancólico em assistir a O Mandaloriano e Grogu. Não porque o filme seja um desastre completo, longe disso, mas porque ele representa com precisão cirúrgica o atual momento da Lucasfilm com a franquia Star Wars: uma engrenagem na máquina “tecnicamente impecável” (segundo os acionistas), mas que parece incapaz de encontrar um verdadeiro senso de urgência criativa.

O longa continua exatamente de onde a terceira temporada da série deixou Din Djarin e Grogu, agora envolvidos em uma missão para resgatar Rotta, filho de Jabba, enquanto ajudam a Nova República a capturar remanescentes imperiais. O problema é que, desde os primeiros minutos, a sensação não é de estar diante de um grande evento cinematográfico, mas sim de assistir a episódios costurados às pressas para justificar uma ida ao cinema.

Ainda assim, seria injusto ignorar o esmero técnico do filme. Jon Favreau claramente entende a iconografia de Star Wars e sabe como transformar ferrugem, areia, fumaça, metal gasto e criaturas estranhas em parte da identidade visual da franquia. Existe textura em cada cenário. Cada planeta parece habitado, sujo, vivo, quase como uma coleção antiga de action figures que voltou a ganhar movimento depois de décadas guardada numa caixa empoeirada.

Imagem: O Mandaloriano e Grogu – (Disney/Lucasfilm).
Imagem: “O Mandaloriano e Grogu” – (Disney/Lucasfilm).

Os efeitos especiais impressionam não apenas pelo orçamento evidente, mas pela maneira como conseguem equilibrar elementos práticos e CGI sem transformar tudo em uma massa digital artificial. O filme constantemente lembra ao espectador por que o universo de Star Wars ainda possui um apelo visual tão poderoso dentro da cultura pop.

Essa força estética também aparece na forma como Grogu é utilizado. Se na série o personagem já funcionava apenas com olhares, grunhidos e pequenos gestos, aqui o orçamento cinematográfico amplia sua participação na ação e o coloca em momentos mais físicos e expansivos. Há cenas inteiras desenhadas para transformar o pequeno personagem em motor narrativo e peça cômica ao mesmo tempo.

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Imagem: “O Mandaloriano e Grogu” – (Disney/Lucasfilm).

Em muitos momentos funciona. Em outros, o longa força tanto a fofura que Grogu passa a parecer menos um personagem e mais uma ferramenta de marketing ambulante vestida de pelúcia espacial (repetição dos Ewoks?). Ainda assim, seria mentira negar o carisma quase magnético que ele mantém em cena. A trilha sonora de Ludwig Göransson ajuda bastante nesse aspecto, misturando o tema clássico da série com sintetizadores e batidas que aproximam certas sequências de uma aventura sci-fi mais acelerada do que da fantasia operística tradicional da saga.

O verdadeiro problema surge quando o roteiro começa a revelar sua estrutura. Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor escrevem o filme como se ainda estivessem produzindo uma temporada completa para o Disney+. A narrativa é fragmentada em arcos que possuem começo, meio e fim próprios, como capítulos independentes colados por grampos enferrujados.

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Imagem: “O Mandaloriano e Grogu” – (Disney/Lucasfilm).

Uma missão na neve, o coliseu, os Hutts, as perseguições em speeders, os confrontos espaciais… tudo parece funcionar como episódios fillers comprimidos dentro de duas horas e meia. A edição reforça essa sensação de artificialidade estrutural, interrompendo constantemente o fluxo narrativo para reiniciar a aventura. O resultado é um longa que jamais encontra unidade dramática. As cenas de ação são bem dirigidas, dinâmicas e visualmente empolgantes, mas quase nunca carregam consequência emocional real.

E talvez seja justamente isso que mais enfraqueça O Mandaloriano e Grogu: a ausência de peso. Nada parece verdadeiramente perigoso. Nenhuma decisão deixa marcas permanentes. Existe uma sucessão de acontecimentos barulhentos acontecendo diante da câmera, mas raramente o espectador sente que algo importante está em jogo.

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Imagem: “O Mandaloriano e Grogu” – (Disney/Lucasfilm).

É curioso porque Star Wars sempre funcionou melhor quando combinava aventura escapista com conflitos emocionais muito claros. Aqui, a produção prefere transformar tudo em entretenimento confortável, embalado num ritmo acelerado que impede qualquer reflexão mais profunda. Quando o longa abraça seu lado de western espacial descontraído, com criaturas caóticas e humor leve, ele encontra certo charme. Mas toda vez que tenta soar grandioso ou emocionalmente relevante, a fragilidade do roteiro aparece imediatamente.

O elenco faz o possível para sustentar esse equilíbrio instável. Pedro Pascal (o inimigo do desemprego) continua excelente como Din Djarin, mesmo aparecendo atrás do capacete durante boa parte do tempo. O ator já compreendeu perfeitamente que o personagem funciona menos através de grandes discursos e mais por pequenas pausas, silêncios e gestos sutis de humanidade. Sigourney Weaver (Alien, Avatar) adiciona presença instantânea sempre que entra em cena, carregando aquela autoridade natural que transforma diálogos simples em momentos maiores do que realmente são.

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Imagem: “O Mandaloriano e Grogu” – (Disney/Lucasfilm).

Já Steve Blum (Star Wars Rebels), como Zeb, e Jeremy Allen White (The Bear), vivendo Rotta, recebem material dramático limitado. Existe uma tentativa clara de trabalhar temas ligados a legado, família e relações parentais, mas o roteiro martela essas ideias tantas vezes que elas perdem impacto rapidamente.

No fim das contas, O Mandaloriano e Grogu funciona mais como sintoma do que como grande acontecimento cinematográfico. O longa diverte, possui momentos genuinamente simpáticos e entrega espetáculo visual suficiente para agradar fãs que ainda encontram conforto nesse universo. Mas também reforça uma sensação difícil de ignorar: a de que Star Wars se tornou uma engrenagem de conteúdo constante, mais preocupada em alimentar catálogo do que em construir histórias realmente inesquecíveis.

O Mandaloriano e Grogu estreia nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, nos cinemas brasileiros. E aí, o que você achou do filme? Comente a sua opinião.
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O Mandaloriano e Grogu

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O Mandaloriano e Grogu acompanha Din Djarin e Grogu em uma nova jornada pela galáxia, enquanto caçam remanescentes do Império que ainda resistem após sua queda.

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