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Coyote vs. Acme (2026) | Longa resgata o espírito dos Looney Tunes em uma aventura divertida que expõe a incapacidade da Warner de reconhecer seu próprio potencial

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Poucos filmes de Hollywood carregam uma história de bastidores tão improvável quanto Coyote vs. Acme. Concebido originalmente em meados de 2016, a partir de um conto de Ian Frazier, o projeto passou pelas mãos de James Gunn, inicialmente cotado para dirigi-lo, antes de Dave Green assumir o comando.

Com Gunn permanecendo entre os roteiristas, Green desenvolveu uma mistura de comédia, drama e suspense jurídico. O resultado custou cerca de US$ 70 milhões e estava planejado para chegar aos cinemas pela Warner Bros., até que, em novembro de 2023, o CEO David Zaslav decidiu engavetar o filme em busca de um benefício fiscal. Uma produção já concluída se transformava, assim, em um dos casos mais controversos da indústria audiovisual recente. Mas a história estava longe de terminar.

Após a reação positiva do público e de profissionais de Hollywood em sessões-teste, a Warner permitiu que os produtores procurassem outro distribuidor. Netflix, Amazon e Paramount demonstraram interesse em Coyote vs. Acme, mas as negociações não avançaram, entre outros fatores, devido ao valor pedido pelo estúdio. A equipe criativa continuou buscando uma saída até que a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos e decidiu levar o longa aos cinemas.

A ironia ganhou contornos quase inacreditáveis: Coyote vs. Acme, filme sobre um personagem que tenta responsabilizar uma grande corporação pelos próprios infortúnios, precisou enfrentar, fora das telas, interesses financeiros e decisões corporativas para simplesmente chegar ao público. Agora, quase três anos após ser engavetado, o longa estreia no Brasil em 27 de agosto nos cinemas, cercado por uma recepção inicial surpreendentemente positiva. A Nerds da Galáxia foi convidada pela Paris Filmes para conferi-lo antecipadamente e descobrir se essa longa batalha terminou finalmente com o Coiote encontrando seu caminho para a luz do dia.

Nota: Esta crítica não contém spoilers, para não comprometer sua experiência com o filme. O texto reflete exclusivamente a opinião do autor e não deve ser tratado como uma verdade definitiva sobre a obra. Sempre que possível, assista ao filme para formar sua própria opinião e apoiar o trabalho dos realizadores. Todas as informações mencionadas já foram divulgadas em sinopses e trailers.

Imagem: Coyote vs. Acme – (Paris Filmes/Ketchup Entertainment).
Imagem: “Coyote vs. Acme” – (Paris Filmes/Ketchup Entertainment).

Coyote vs. Acme parte de uma premissa que parece arrancada de uma piada dos próprios Looney Tunes: após passar anos sendo vítima dos produtos defeituosos da Acme em suas tentativas frustradas de capturar o Papa-Léguas, Wile E. Coyote decide processar a empresa. Para enfrentar uma corporação aparentemente imbatível, ele conta com Kevin Avery, advogado fracassado vivido por Will Forte. John Cena interpreta o representante jurídico da Acme, enquanto Lana Condor assume o papel da assistente de Kevin.

E é justamente na tela que a produção mostra por que merece existir. Dave Green compreende que trabalhar com uma propriedade tão tradicional exige mais do que reproduzir personagens conhecidos: é preciso espontaniedade e diversão. Com o auxílio de uma talentosa equipe de animadores, o diretor constrói uma integração entre live-action e animação que supera Space Jam: Um Novo Legado (2021) e se coloca entre as melhores fusões recentes entre os dois formatos.

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Imagem: “Coyote vs. Acme” – (Paris Filmes/Ketchup Entertainment).

Piadas desenhadas, filmadas e misturadas com inteligência permitem que a lógica cartunesca invada constantemente o mundo real, seja em uma estrada sacudida como um tapete ou em situações que desafiam física, espaço e movimento. É como pegar a famosa cena do primeiro Space Jam, em que Michael Jordan estica o braço para uma enterrada, e transformar aquela ideia em linguagem para um filme inteiro, com efeitos visuais mais sofisticados e um timing cômico ainda mais preciso.

Essa ar de espontaniedade para diversão é o maior trunfo de Coyote vs. Acme, mas também evidencia seus limites. Em um universo no qual é possível abrir buracos no chão, flutuar no ar ou desafiar qualquer regra física, o desafio deixa de ser imaginar o que pode acontecer e passa a ser escolher qual possibilidade produz a melhor piada. Na maior parte do tempo, Green acerta. O elenco humano funciona bem como contraponto aos personagens animados, sustentando o vai e vem humorístico e oferecendo uma base humana competente, embora o material envolvendo os personagens de carne e osso alcance raramente a mesma imaginação.

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Imagem: “Coyote vs. Acme” – (Paris Filmes/Ketchup Entertainment).

Seus dilemas, algumas conveniências do roteiro e a relação entre humanos e desenhos parecem mais artificiais quando comparados à energia das sequências animadas. É um problema recorrente em produções que misturam personagens cartunescos ou digitais com atores reais, algo visto também em franquias como Transformers e Godzilla x Kong: quando a câmera permanece tempo demais no núcleo humano, a fantasia perde parte do brilho.

Ainda assim, o filme compensa essa limitação ao compreender o que torna Wile E. Coyote tão duradouro. A dinâmica de tentar, fracassar e tentar novamente possui uma simplicidade quase universal, e Coyote vs. Acme transforma essa repetição em vínculo emocional. O resultado aproxima o público do personagem e conduz sua rivalidade com o Papa-Léguas a uma conclusão satisfatória, ainda que previsível.

Vídeo: “Trailer Oficial 2 de Coyote vs. Acme” – (Paris Filmes/Ketchup Entertainment).

Somam-se a isso aparições divertidas de outros Looney Tunes e uma mitologia surpreendentemente robusta para a própria Acme, explorando de maneira criativa por que seus produtos parecem existir para falhar justamente no momento mais importante. Coyote vs. Acme, portanto, entrega bastante aos fãs, mas sua eficiência não depende apenas da nostalgia. Ela nasce da execução cuidadosa de uma ideia que poderia facilmente ter se perdido entre referências, fan service e efeitos digitais.

Por isso, a decisão da Warner Bros. Discovery de abandonar seu lançamento se torna ainda mais difícil de compreender diante do que está na tela. Entre a criatividade visual e o evidente cuidado com os Looney Tunes, há amor demais em Coyote vs. Acme para que fosse reduzido a um ativo descartável. Realmente, seria uma ironia cruel se o filme acabasse como um dos próprios produtos da Acme: guardado a sete chaves e impedido de cumprir seu verdadeiro propósito, chegar ao público.

Coyote vs. Acme estreia em 27 de agosto de 2026 nos cinemas brasileiros.

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Coyote vs. Acme

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Título Original: Coyote vs. Acme. Ano: 2026. Duração: 1h 40min. Gênero: Aventura. Direção: Dave Green. Elenco: Will Forte, John Cena, Lana Condor e Luis Guzmán. Distribuição: Paris Filmes/Ketchup Entertainment. Estúdio: Warner Bros. Animation.

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