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Fim da Rua tem que ser o próximo grande queridinho dos cinemas [Crítica sem Spoilers]

À noite, um homem e uma mulher estão dentro de um carro visto de frente pelo para-brisa. A mulher dirige com as mãos firmes no volante, enquanto ambos olham para a frente com expressão tensa. A rua ao fundo está escura e vazia.
Fim da Rua tem que ser o próximo grande queridinho dos cinemas [Crítica sem Spoilers]

Já estreou nesta semana nos cinemas O Fim da Rua, que embala a quarta participação de Anne Hathaway nos cinemas, só que desta vez sem dramas épicos, musicais ou do mundo fashion. O filme de ficção-científica traz novamente os dinossauros como grandes vilões, assim como vimos ano passado com mais um filme da franquia Jurassic World, em que coletividade, estratégia e sobrevivência são princípios norteadores para lidar com uma luta tão desproporcional entre humanos e esses gigantes pré-históricos.

Produzido pela Warner Bros. Pictures, além de Anne Hathaway, estão no elenco os vencedores do Emmy Awards Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi) e Christian Convery (Sweet Tooth), a vencedora do Critic’s Choice Awards Maisy Stella (Meu Eu do Futuro) e Jordan Alexa Davis (Em Defesa de Jacob), com direção e roteiro de David Robert Mitchell (Corrente do Mal; O Mistério de Silver Lake), um cineasta com poucas produções cinematográficas até então, mas com produções relevantes que carimbaram sua figurinha em, pelo menos, quatro edições no Festival de Cannes.

Cartaz oficial de O Fim da Rua. Quatro pessoas observam uma grande criatura cuja silhueta aparece desfocada no canto esquerdo da imagem. A cena ocorre em meio a uma névoa intensa, enquanto o grupo olha para cima com expressão de alerta.
Cartaz oficial do filme. (Foto: Reprodução/Warner Bros.)

Nerds da Galáxia foi convidada pela Warner Bros. Discovery à cabine de imprensa e traz agora uma crítica sem spoilers de O Fim da Rua, explorando público-alvo desejado e pontos fortes e baixos.

NotaA crítica consiste em uma opinião do escritor e não deve ser considerada absoluta e/ou uma resposta definitiva para a sua dúvida sobre assistir ou não à obra. Sempre priorize ver para estimular o trabalho dos realizadores e desenvolver sua formação de opiniãoAs informações contidas foram apresentadas em sinopses e trailers.

Cena de O Fim da Rua. Em primeiro plano, um dinossauro de pescoço comprido e focinho estreito ocupa a maior parte da imagem. Ao fundo, desfocados, três personagens caminham sobre o telhado de uma casa em um bairro residencial.
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

História

Cena de O Fim da Rua. Uma família de quatro pessoas — dois adolescentes e dois adultos — disputa uma corrida de saco no jardim de uma casa, todos sorrindo e se divertindo, com um carro antigo estacionado ao fundo.
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

O Fim da Rua conta a história da família Platt, moradores do bairro Oak Street, na década de 80. O bairro parece ser suburbano, afastado da agitação de grandes centros urbanos, com seus moradores vivendo uma vida modesta — em que tudo virará de cabeça para baixo. No filme, é explicado que ondulações anormais presentes no espaço, decorrentes de uma explosão solar, estão provocando buracos de minhoca que trocam a matéria da realidade atual com a do passado, vitimizando o bairro todo, que acaba sendo “teletransportado” ao período Jurássico.

Como se não bastasse a loucura toda, há ainda os dramas pessoais da família Platt. Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) enfrentam uma crise no casamento, uma distância que os afasta da confidencialidade que esperamos de um matrimônio saudável e ideal, cheio de rancores, lástimas e segredos guardados. O que resvala em seus dois filhos: a recém-jovem-adulta Audrey (Maisy Stella), uma menina mais solitária, prestes a escolher qual curso quer estudar no ensino superior e entusiasta da astronomia; e o adolescente Byan (Christian Convery), aparentemente mais perdido e desolado com a desunião dos pais, com forte dependência emocional com o seu cachorro Starbuck, e mais interessado com a chegada de uma nova vizinha — a Jeannette Christiansen (Jordan Alexa Davis).

Agora, sem possibilidade de fuga, cada problema precisa ser deixado de lado para favorecer a união da família, para que a estranheza não seja mais um peso diante de uma luta entre presas fáceis e predadores colossais.

Filme oferece aventura leve e nostálgica à la Spielberg

Cena de O Fim da Rua. Quatro pessoas caminham sobre o telhado de uma casa durante o dia. À frente, uma mulher segura uma barra de metal, enquanto três adolescentes a acompanham com expressões de preocupação. Ao fundo, aparecem árvores e outras construções
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

É interessante quando um filme de ficção científica cria algum tipo de semelhança poética ou situacional entre o “problema maior”, o motivo que faz o filme ser um sci-fi e mobiliza todo mundo independentemente das diferenças, e o problema mais “interno”, deixado em segundo plano, o que vai criar as camadas que enriquecem os personagens para além das falas e passam por seus pensamentos e ideais. O filme faz acontecer essa associação, que se desencadeia tanto na inacessibilidade entre Denise e Greg, que daria justamente para equiparar essa crise no matrimônio a fugir de um dinossauro, porém deixam em segundo plano a participação dos filhos e os reduzem como vítimas duplas de dois infernos diferentes.

Mesmo discutindo um tema infelizmente atual, sensível e complexo entre relacionamentos, o filme foca-se em uma aventura leve e descompromissada de críticas, pelo menos de forma direta. Tanto que a explicação científica usada é citada por cima, sem aprofundamentos, mas, de certa forma, não é tão descartada, contribuindo para algumas cenas importantes de apuração sobre como sair daquela realidade.

No geral, O Fim da Rua é um filme que lembra bastante, propositalmente, os filmes de fantasia e ação dos anos 90 — inteligentemente pensada devido à onda nostálgica permeante na cultura atual e inspirada nos trabalhos marcantes de Spielberg. O longa é bastante emotivo, familiar e não decepciona a grandiosidade dos dinossauros, com cenas tensas e ótimos efeitos CGI, mas não o abraça como um pilar que sustenta o roteiro todo, tal qual os filmes de Jurassic Park. Em meio a tantos filmes que somente funcionam com efeitos gráficos impecáveis, neste é apenas um detalhe da experiência em família.

Cenas de ação são mais pé no chão com elementos de terror

Cena de O Fim da Rua. Um grande dinossauro corre por uma rua residencial enquanto duas crianças fogem pela calçada ao lado de casas. A cena acontece durante o dia e transmite sensação de perseguição.
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

David Robert Mitchell encarou um enorme desafio, fugindo do que particularmente produziu ao longo da carreira, focado em um terror atmosférico mais lento. Estando em outra seara, David conseguiu manter suas assinaturas e manter uma pegada até então inabitual em filmes que se propuseram a envolver dinossauros: enquanto sempre havia algum personagem que detinha coragem para atacá-los ou sobrevivia a vários episódios de combate, em O Fim da Rua, vimos mais fugas, medo, desespero, inexperiência e ações do “calor do momento”, essências estritamente humanas e reais, que passam por um entendimento nosso e tornam-se algo mais pessoal e convincente.

Os dinossauros também estão mais assustadores, mas darei os créditos não apenas à computação gráfica minuciosa, como também à direção de fotografia bem planejada, desempenhando um papel fundamental na imersão, com planos mais amplos que notam a diferença de escala entre os monstros e os personagens, intercalados com cenas mais próximas nos rostos dos atores para captar emoções mais intensas, e cenas de perseguição longas gravadas em plano sequência que conseguem ser angustiantes e viscerais.

Planejadas com a direção de arte, as cenas de imersão conseguem outros pontos extras, transportando um cenário apocalíptico pré-histórico sem exageros, repleto de vegetação contrastante com elementos mundanos — como uma caixa de correio, cercas e placas — que dão às cartas do jogo sobre a expansão e a briga por território entre as criaturas e os moradores de Oak Street. Ver as cenas de detalhes de cercar casas, usar armas improvisadas como uma mangueira de jardim e outros pontos mais sofisticados estabelecem uma linearidade mais real e prazerosa ao acompanhar a trama.

Anne Hathaway mostra por que está no melhor momento da sua carreira

Cena de O Fim da Rua. Mulher de cabelo escuro e franja, vestindo blusa azul com detalhes florais rosa no colarinho e punhos, segura uma espingarda no colo do braço enquanto caminha em frente a uma casa, com expressão tensa e olhar fixo para o lado.
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

Em questão de atuação, Anne Hathaway não precisa provar nada a ninguém há tempos, mas, acompanhando seu trabalho em O Fim da Rua, é um atestado à versatilidade e ao profissionalismo enorme da atriz, que faz elevar qualquer filme em que está a uma experiência cinematográfica — deve ser por isso que os estúdios assediam tanto a Hathaway, que está promovendo seu quarto filme nos cinemas somente em 2026, sem contar com o já planejado “Verity” estreando em outubro, passando para cinco aparições, feito inédito na indústria.

O filme, cuja proposta é uma aventura em meio a dinossauros famintos, não é lá uma produção que esperamos atuações comoventes e uma história complexa com sensibilidade e nuances. Nesse quesito, o trio jovem Maisy Stella, Christian Convery e Jordan Alexa Davis desempenha seu papel de forma convincente e satisfatória, uma vez que há muita oscilação entre altos e baixos momentos de tensão no filme, bem correspondidos pela garotada.

Ewan McGregor leva uma outra abordagem ao filme, oposta ao papel de Anne Hathaway. Ewan é o coração do filme com Greg, um homem que ama a sua família, os poupa de suas tormentas e sempre segue com um sorriso no rosto, inspirando positividade mesmo que sob ruínas; sua atuação é mais sofrida internamente e mais “estranha”, como se fosse um desconhecido entre sua família. Já Anne é uma mulher desgastada emocionalmente, mais racional que emocional, mas que lidera mais e é mais pragmática, resultando em caras e bocas mais precisas e frustrantes.

Portanto, a dupla McGregor e Hathaway se encaixa como uma luva e elabora uma dinâmica interessante que não desbanca ao sentimentalismo, com entregas completas dos dois atores que carregam o filme nas costas. Uma escolha de elenco inteligente que utiliza as principais forças dos dois atores para construir um cenário até então desconhecido em filmes com essa temática: um silêncio que é compreensível diante de um cenário que raramente permite um momento de paz.

Vale a pena assistir?

Cena de O Fim da Rua. Homem e mulher parados na entrada de um corredor escuro dentro de uma casa, ambos segurando objetos como armas improvisadas (uma vara e uma espingarda), com expressões de susto e alerta, observando algo fora de quadro.
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

O Fim da Rua é uma excelente opção, mais divertida e descompromissada, para ver com a família e amigos. Interessados na temática de dinossauros vão perceber uma abordagem diferente desta vez, mais pairada ao realismo e ao terror, característicos do diretor, e, no caso, ótimamente bem-vindos ao subgênero, graças a um trabalho bem pensado em sua concepção: a trilha sonora, fotografia, cenário, efeitos especiais e, principalmente, aos atores principais Anne Hathaway e Ewan McGregor. O longa não abraça aprofundamentos que não fujam do núcleo familiar e não se compromete a grandes explicações que façam sentido científico, mas colabora com o suspense e com a leveza, para uma produção de maior entretenimento fácil.

Quando estreia O Fim da Rua?

Cena de Fim da Rua. Quatro pessoas estão dentro de um carro durante o dia. Um homem ocupa o banco do passageiro, uma mulher dirige e duas crianças aparecem entre os bancos traseiros. Todos olham para a frente com semblantes preocupados.
Cena de O Fim da Rua. (Foto: Warner Bros. Pictures)

O Fim da Rua já está disponível em todos os cinemas do Brasil, desde o dia 13 de agosto, podendo ficar em cartaz até meados de outubro. O filme foi filmado em IMAX, com salas especiais oferecidas por algumas salas de cinema para a exibição do filme.

Assista ao trailer

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