Uma venda bilionária pode parecer sinal de força, mas, dentro da Warner Bros. Discovery, a sensação predominante é de frustração. Segundo reportagem da Variety, fontes da empresa afirmam que o estúdio não precisava ser vendido por razões financeiras, já que vinha apresentando desempenho sólido nos últimos meses.
A leitura interna ganha peso quando os números entram em cena. A Warner Bros. Pictures acumulou uma sequência histórica de sete filmes consecutivos com estreia acima de US$ 40 milhões nas bilheterias domésticas, enquanto o HBO Max passou de um prejuízo de US$ 2,1 bilhões em 2022 para um lucro de US$ 1,4 bilhão em 2025. Para o analista Robert Fishman, da MoffettNathanson, o estúdio de cinema e televisão teve “um ano de destaque”, reforçando a percepção de que a venda não nasceu de uma necessidade imediata de caixa.

Nos bastidores, a direção da Warner Bros. Discovery e o CEO David Zaslav trabalhavam com um plano de independência, que incluía separar os canais lineares, como CNN, TNT e Discovery, do estúdio e da HBO Max. A estratégia, porém, perdeu força diante do avanço de David Ellison, da Paramount Skydance, que acelerou a disputa ao elevar sua proposta para US$ 31 por ação em dinheiro.
A pressão cresceu depois que a Netflix apresentou, em dezembro, uma oferta de US$ 82,7 bilhões. Com a nova investida da Paramount Skydance, o conselho da Warner Bros. Discovery acabou optando pela proposta considerada mais vantajosa, em linha com seu dever fiduciário de maximizar o valor para os acionistas. A operação, segundo o material divulgado, avalia a empresa em cerca de US$ 110 bilhões.
A disputa ainda provocou ruído político e corporativo. A Paramount Skydance questionou a lisura da venda e acusou a Warner Bros. Discovery de favorecer a Netflix durante o processo. Paralelamente, grupos políticos republicanos também manifestaram preocupação pública com a expansão da Netflix sobre operações de TV e cinema, elevando o tom de uma negociação que já era cercada de tensão.

No centro dessa engrenagem está Zaslav. O executivo deve receber uma indenização de pelo menos US$ 550 milhões com o fechamento do acordo, além de US$ 116 milhões em ações adquiridas. Ainda assim, pessoas próximas afirmam que ele preferia continuar no cargo. O investidor David Geffen, que lucrará mais de US$ 700 milhões com a venda de suas ações da Warner Bros. Discovery, saiu em defesa do executivo e disse que sua verdadeira vitória era ter colocado a empresa em uma posição muito mais forte do que antes.
Nem todos foram tão diplomáticos. Um executivo de estúdio rival resumiu o sentimento de parte do mercado com dureza, ao tratar a operação como uma espécie de preparo elegante de um corpo para o funeral, já pronto para ser vendido, enquanto Zaslav deixaria a mesa com meio bilhão de dólares. A frase espelha o clima ácido em torno de um negócio que mistura estratégia, vaidade, poder e cifras monumentais.
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Se a aquisição avançar como previsto, a nova empresa deverá concentrar um catálogo de peso que inclui TNT, CBS, CNN, MTV, TCM, Showtime, Adult Swim, DC Studios, Paramount+, Nickelodeon, HBO e HBO Max, Comedy Central e Cartoon Network. A lista ainda reúne direitos cinematográficos e de TV de Star Trek, DC Comics, Harry Potter, Transformers, Looney Tunes, Invocação do Mal, Game of Thrones, Duna, Minecraft, MonsterVerse, Missão: Impossível, O Senhor dos Anéis, Bob Esponja e Tartarugas Ninja. Isso certamente consolidaria um arsenal de franquias que pode redesenhar o tabuleiro do entretenimento global.
No fim, a grande questão que fica é simples e poderosa: essa fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount Skydance cria um império mais forte ou apenas concentra demais o poder em poucas mãos?
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Olá, viajantes! Meu nome é Fabrizio Galluzzi. Assim como vocês, viajei para Runeterra até uma Galáxia Muito, Muito Distante. Conheci os Heróis Mais Poderosos da Terra e os Grandes Deuses Nórdicos e Gregos. Porém, no meu tempo livre sou um simples aventureiro, que ama muito ir ao cinema.





