Entre a fidelidade visual e a pressa narrativa: Ryan Gosling brilha em uma produção que encanta os olhos, mas simplifica a genialidade científica da obra original.
A frase “o livro é melhor que o filme” foi verdade mais uma vez. Essa é a sensação que fica após assistir Devoradores de Estrelas, mas nem por isso, essa afirmação é uma crítica forte a adaptação.
Com uma ótima atuação de Ryan Gosling, que consegue trazer as telas toda a essencial de Ryland Grace e uma ótima caracterização de seu amigos alienígena Rocky, não dá para negar que o filme fez escolhas maravilhosas.
Ver o Rocky se tornar realidade é algo mágico para quem leu os livros e com certeza algo inesperado, mas incrível, para quem vê a história pela primeira vez. Ele entra para a classe de personagens secundários, não humanos, que ganham o coração do público, com Yoda e Groot.
Talvez não seja uma boa levar as crianças se você não quer acabar tendo que comprar uma pedra com braços para levar para casa (alguns adultos podem não se aguentar também), pois é impossível não se apaixonar e torcer pelo personagem.

A Química Impecável entre Ryan Gosling e o Fenômeno Rocky
Enquanto isso, Gosling prova mais uma vez para a gente como é um dos atores que vai ser lembrado para sempre pela nossa geração, nos mostrando que consegue ter química até mesmo com pedras (Stone e Rock são pedra em inglês, piada rs).
Assim como no livro, Grace leva tudo com muito humor, e é impossível não sentir empatia pelo personagem e também dar uma risadinha com seu jeito de ser. O coração dos fãs deve ficar bem aquecido com a escolha do ator, que soube adaptar o personagem de forma maravilhosa, trazendo toda a essência que o faz ser quem é.
Infelizmente, o roteiro não ajuda. Se podemos destacar como ponto principal e central do filme, a linda fotografia e o fato de que não foram usadas telas verdes, junto com a perfeita caracterização, podemos criticar a pressa da história, que pecou em fazer cortes que poderiam ter trazido ao filme mais camadas.

O Desafio de Adaptar a Profundidade Narrativa em Tempo Recorde
As mudanças feitas pelo roteiro em geral foram boas e inteligentes, mas é impossível não perceber essa vontade de que a história corra o mais rápido possível para fechar em um tempo limite. Quem não leu o livro, pode ficar com a sensação de que algo na história falta, e quem leu, vai ter um pouco de expectativa quebrada ao não ver momentos marcantes da forma que imagina nas telonas.
O que mais peca nessa questão é que a adaptação tirou muitos pontos importantes para deixar a história mais humana.
Grace acorda de seu coma e vê seus companheiros mortos, o que torna ele um homem sozinho no espaço. Enquanto ele recobra sua memória, ele vive um luto e essa dor, nos faz sentir pena dele e também de seus companheiros. Nas páginas entendemos mais quem eles eram e também a relação que Grace tinham com eles durante o treinamento da missão. Já no filme, não entendemos quem são ou suas motivações para estar ali e assim, não nos conectamos com eles, deixando a situação menos pesada do que deveria, tirando todo o peso da solidão e frustração para dar impacto ao perigo vivido ali.
Também não temos tanto do passado de Grace em si, sabemos que ele é solitário, sabemos que perdeu seu grande amor, mas isso é pouco explorado. Os flashbacks do passado são muito mais corridos e não há aprofundamento sobre quem ele foi.
O Equilíbrio entre a Ciência de Andy Weir e o Espetáculo Visual
Se o livro passa muito tempo nas explicações científicas de tudo o que acontece e também nas questões pessoais, o filme nos entrega mais em relação a interação humana com um alienígena.
Isso noa é uma crítica. Até porque quem leu o livro com certeza estava na expectativa de ver esses dois interagindo e a adaptação entrega isso de forma linda e que aquece o coração. Mas até nisso, tiveram pressa.
Rocky é mostrado para gente muito mais cedo e toda a relação deles se desenrola com muito mais rapidez. Passando até uma sensação de que Rocky é um personagem extremamente ansioso e que necessita estar colado a Grace para tudo.
Quase não temos a exploração de quanto esses dois personagens são inteligentes. As habilidades de Rocky são mostradas, porém de forma bem rasa. Falta sentirmos a admiração que Grace sente por ele nos livros, falta entendermos como a ciência conecta os dois e como a proximidade deles chega justamente ao ponto da necessidade de salvar seus povos, mesmo que isso signifique acabar com suas próprias vidas.
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A Exploração de Rocky e a Solução dos Conflitos
Nosso amigo “de pedra” é muito mais explorado no sentido de quem ele é e de suas habilidades nos livros. No filme é quase como se ele realmente só estivesse lá para ser um ponto de humor, para ser um enfeite divertido.
Também não entendemos muito bem como os dois resolveram o problema que os levou ali. Enquanto o livro perde páginas e mais páginas para explicar a forma como eles solucionam cada pequena coisa. Aqui tudo fica na ideia de que conseguiram. A tensão e os desafios são menores e muito mais facilmente contornados, tirando o peso da “ameaça invisível” que estão lutando contra.
Dito isso, não tem o porque deixar de ir ao cinema. Na verdade Devorador de Estrelas é o tipo de filme que DEVE ser visto nas telonas, ele é feito para isso e com certeza, se você é um grande fã do cinema e da ficção científica, vai sair extasiado e muito satisfeito. É um deleite poder ver uma produção tão bem feita e que teve um cuidado mais do que perceptível de todos que trabalharam nela.
Impossível não se divertir e se apaixonar por essa história, que consegue ser genial independente de como você escolha consumi lá. Nos faz sair da nossa realidade e explorar possibilidades inimagináveis, nos lembrando de como o entretenimento pode nos salvar todos os dias.
Como diz o Rocky: “AMAZE, AMAZE, AMAZE”
Por Isabela Zanardi
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