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Crítica | De Volta à Bahia

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Entre romance e cartão-postal, onde termina o cinema e começa a peça publicitária? É essa a sensação que paira sobre De Volta à Bahia, longa que tenta transformar Salvador em personagem central, mas acaba dividido entre a força do cenário e a fragilidade da própria narrativa.

Ambientado na capital baiana, o filme acompanha Maya, vivida por Barbara Franca, e Pedro, interpretado por Lucca Picon. Jovens talentos do surf, os dois se aproximam após ele salvá-la de um afogamento, momento que viraliza nas redes sociais. Unidos também pelo mesmo mentor, PH, papel de Felipe Roque, o casal inicia um romance enquanto enfrenta conflitos familiares e inseguranças pessoais.

Salvador como promessa narrativa

A direção de Eliezer Lipnik e Joana di Carso aposta na potência imagética da cidade. Pontos icônicos como o Pelourinho, o Farol de Itapoa, a Igreja do Senhor do Bonfim e a Forte de Sao Marcelo surgem em sucessivos planos gerais e tomadas aéreas. A intenção é clara: incorporar Salvador à dramaturgia.

No entanto, a insistência na exibição de cartões-postais dilui o impacto das imagens. O que inicialmente situa o espectador geograficamente passa a soar repetitivo. Em determinados momentos, a montagem dinâmica e a trilha sonora jovial criam a impressão de um vídeo institucional turístico, desviando o foco da jornada emocional dos protagonistas.

De Volta à Bahia aposta em romance ambientado em Salvador, com Bárbara França e Lucca Picon. Apesar da fotografia marcante e da química do casal, o filme divide opiniões ao priorizar cartões-postais e apresentar conflitos pouco desenvolvidos.
De Volta à Bahia (2026)

Romance com potencial, execução irregular

Há méritos. A química entre França e Picon funciona, especialmente na construção da expectativa para o primeiro beijo, que entrega o clímax romântico esperado. O roteiro também tenta oferecer maturidade ao permitir que Maya e Pedro existam para além do casal, cada um com seus dilemas e relações familiares próprias.

Os núcleos entre mãe e filho e entre filha e pai acrescentam camadas ao debate sobre pertencimento e reconciliação com as próprias origens. A proposta é interessante: crescer não é apenas se apaixonar, mas revisitar traumas e assumir responsabilidades emocionais.

Contudo, quando o filme se aprofunda nesses conflitos, encontra dificuldades. Muitos arcos soam reciclados e pouco desenvolvidos. O antagonismo de Beth, interpretada por Mariana Freire, resvala na caricatura. O alívio cômico de Arthur, vivido por Juliano Laham, frequentemente cai no constrangimento. Já o mentor PH se aproxima de um discurso motivacional genérico.

De Volta à Bahia aposta em romance ambientado em Salvador, com Bárbara França e Lucca Picon. Apesar da fotografia marcante e da química do casal, o filme divide opiniões ao priorizar cartões-postais e apresentar conflitos pouco desenvolvidos.
De Volta à Bahia (2026)

Entre sensorial e superficial

Visualmente, o longa demonstra cuidado. A câmera que acompanha surfistas dentro da água oferece momentos imersivos e menos turísticos. A fotografia valoriza o pôr do sol e a textura do mar, buscando uma linguagem mais sensorial. Ainda assim, problemas técnicos pontuais, como cenas com uso perceptível de tela verde e mixagem sonora irregular, quebram a imersão.

O resultado é um filme que entende as convenções da comédia romântica, mas hesita em ultrapassá-las de forma consistente. Há tentativa de equilíbrio entre leveza e intensidade, mas a execução nem sempre sustenta a ambição.

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De Volta à Bahia (2026)

Conclusão

De Volta à Bahia se apresenta como romance sobre amadurecimento, identidade e pertencimento, mas termina dividido entre narrativa e vitrine turística. Quando foca nos conflitos emocionais, encontra sinceridade e momentos sensíveis. Quando insiste em exibir a cidade sem integrá-la organicamente ao drama, perde força.

Resta ao público decidir: a beleza de Salvador basta para sustentar a experiência ou o cinema exige mais do que paisagens deslumbrantes? A resposta pode variar, mas o debate certamente merece espaço.

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