“Vale Tudo 2025”: Remake da Globo termina com Odete Roitman viva e crítica afiada à corrupção brasileira
Trinta e sete anos após o histórico “Quem matou Odete Roitman?”, o Brasil voltou a parar diante do desfecho de uma das novelas mais icônicas da televisão brasileira. O remake de Vale Tudo, exibido pela Globo, chegou ao fim nesta sexta-feira (17) entregando emoção, crítica social e reviravoltas impactantes, mostrando que o legado de Gilberto Braga permanece atual. Desta vez, o mistério mais famoso da TV brasileira ganhou um novo significado: Odete Roitman está viva e fugiu do país, encerrando a novela de maneira ousada e provocadora, reforçando a crítica à corrupção e à impunidade que atravessam gerações.
O público se dividiu entre choque e admiração, e a repercussão nas redes sociais foi imediata. A cena final, que mostra Odete sorrindo no helicóptero enquanto sobrevoa o Rio de Janeiro, se tornou rapidamente um símbolo da novela e da discussão sobre poder, moralidade e sobrevivência da elite no Brasil contemporâneo. A narrativa não apenas homenageou o clássico de 1988, mas também trouxe uma nova perspectiva sobre ética, ambição e justiça, refletindo os desafios atuais da sociedade brasileira.
A difícil missão de reviver um mito da TV
Desde que a Globo anunciou o remake de Vale Tudo em 2024, o público se dividiu entre expectativa e receio. Recriar uma obra que marcou gerações e definiu um gênero parecia uma tarefa quase impossível. Mas a equipe liderada por Amora Mautner e Ricardo Linhares conseguiu equilibrar respeito e ousadia, mantendo a essência crítica da obra original e atualizando suas discussões para o Brasil contemporâneo.
A nova versão mergulhou em temas atuais como fake news, cultura da ostentação, escândalos políticos e superficialidade das redes sociais, mostrando que a corrupção e a falta de ética mudam de rosto, mas continuam presentes em todos os níveis da sociedade. Essa atualização inteligente não apenas trouxe o público de volta ao texto original de Gilberto Braga, mas também criou uma narrativa que dialoga diretamente com os dilemas morais, econômicos e sociais do Brasil de 2025, reforçando a força do folhetim como espelho da sociedade.
Odete Roitman sobrevive e foge do Brasil
Vivida magistralmente por Débora Bloch, Odete Roitman voltou a ser o centro das atenções. Após levar um tiro de Marco Aurélio (Alexandre Nero), a vilã sobreviveu graças a uma cirurgia secreta e conseguiu fugir do Brasil com a ajuda de Freitas (Luís Lobianco). No último plano da novela, Odete aparece a bordo de um helicóptero, sobrevoando o Rio de Janeiro, e se despede com elegância e ironia: “Au revoir, Brasil!”. A cena viralizou nas redes sociais e se tornou uma metáfora poderosa sobre a impunidade e a sobrevivência da elite, mostrando que a vilã não apenas escapa da morte, mas continua a jogar seu próprio jogo fora do país.
Comparando com 1988, quando Beatriz Segall interpretava Odete e sua morte chocou o país, a versão de 2025 traz uma releitura ousada. Desta vez, a vilã sobrevive e escapa, reforçando que a corrupção e o poder se renovam, mudam de rosto, mas permanecem intactos, uma crítica direta ao cenário político e social brasileiro atual.
Marco Aurélio e Leila: impunidade em família
O empresário Marco Aurélio tenta fugir do país após seus planos com corrupção dentro da TCA serem descobertos, mas uma pane no avião faz com que seja capturado e preso. Mais tarde, ele consegue prisão domiciliar, dividindo a pena com a esposa Leila (Carolina Dieckmann), que também cumpre a punição com tornozeleira eletrônica, guardada de forma irônica em uma bolsinha fashion, cena que mistura crítica social e humor sutil.
Em um flashback, Marco Aurélio acredita realmente ter matado Odete usando a arma deixada por Celina (Malu Galli). Diferente do final clássico de 1988, em que os vilões eram punidos de forma mais direta, aqui há um tom de ironia e crítica social, mostrando que, mesmo quando a justiça age, a elite corrupta continua manipulando o sistema a seu favor e escapando das consequências completas de seus atos. O personagem termina em uma situação confortável, mas com o peso da consciência pairando sobre ele, refletindo o paradoxo do poder moderno: visível, mas parcialmente impune.
Raquel e Ivan: honestidade premiada
Raquel Acioli (Taís Araújo) consegue quitar as dívidas do Paladar e distribuir participação nos lucros entre os funcionários, simbolizando a vitória da ética e da solidariedade em um mundo marcado por desigualdade e ambição. Ela se casa com Ivan Meireles (Renato Góes) em uma cerimônia emocionante, com os filhos Bruno e Salvadorzinho entrando juntos levando as alianças, representando a união de famílias e a construção de um futuro pautado pela integridade.
Em comparação com 1988, Raquel e Ivan tiveram finais felizes, mas sem tantos detalhes sobre heranças, negócios e filhos. A versão de 2025 amplia a narrativa, mostrando que a honestidade e o esforço podem, sim, gerar resultados concretos mesmo em um ambiente marcado pela corrupção. A cerimônia simboliza esperança e resistência, elementos centrais da obra de Braga.
Bartolomeu e Ivan: lições de honestidade
Bartolomeu (Luís Melo) celebra o sucesso do Paladar e conversa com Ivan sobre valores da honestidade, reforçando o tema central da novela: a integridade compensa, mesmo em um país onde a corrupção está enraizada na sociedade. Diferente de 1988, a versão de 2025 aprofunda o diálogo e as consequências das escolhas, tornando o final mais detalhado e reflexivo, conectando os arcos dos personagens à ética e à moralidade de forma concreta.
Maria de Fátima: a ambição não morre
Maria de Fátima (Bella Campos) se casa com Carvana (Leopoldo Pacheco) e se torna uma madame do agronegócio, mas sua ambição continua inalterada. Ela é flagrada em momentos comprometedores com funcionários e troca olhares provocantes com César Ribeiro (Cauã Reymond).
Enquanto em 1988 a personagem terminava mais isolada e punida, a versão de 2025 mostra que a ambição pode ser recompensada, mantendo a crítica social de Braga sobre moralidade e sucesso em uma sociedade desigual. Fátima se consolida como símbolo da capacidade de adaptação da elite, desafiando o público a refletir sobre os limites éticos do poder.
Casamentos, recomeços e representatividade
O casamento de Cecília (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima) marcou a inclusão e diversidade, com Sarita (Luara Telles) entrando com as alianças e fazendo um discurso emocionante sobre o verdadeiro significado de família. Poliana (Matheus Nachtergaele) se declara para Marieta (Cacá Ottoni), Heleninha (Paolla Oliveira) é libertada da prisão e retoma sua vida com Renato Filipeli, enquanto Afonso Roitman (Humberto Carrão) se reconcilia com Solange (Alice Wegmann) em uma praia com os filhos gêmeos, encerrando sua trajetória de forma feliz e simbólica.

Freitas termina no Nordeste com um rapaz mais jovem, Celina reconstrói sua família, e Eunice viaja para Milão como estilista de sucesso. Esses desfechos representam uma evolução em relação a 1988, trazendo maior diversidade, inclusão e complexidade nos finais dos personagens secundários, reforçando o compromisso da nova versão em refletir a sociedade contemporânea.
A força simbólica de “Vale Tudo”
O remake de Vale Tudo vai muito além de uma simples releitura de um clássico da teledramaturgia brasileira. Ele reafirma que as questões levantadas por Gilberto Braga, como corrupção, ambição desmedida, moralidade flexível e impunidade, permanecem extremamente atuais e relevantes.
A decisão de manter Odete Roitman viva e fugindo do Brasil simboliza a persistência de um sistema que protege a elite, perpetuando privilégios e desigualdades, mesmo diante de mudanças na sociedade e na legislação.
O último plano da vilã, sorrindo no helicóptero, é mais do que uma imagem de impacto. É uma metáfora potente sobre o ciclo contínuo do poder e da impunidade, mostrando que, no Brasil, as estruturas de poder dificilmente são derrubadas, apenas assumem novas formas.
Ao mesmo tempo, o remake mantém a força crítica e reflexiva da obra original, lembrando que as escolhas, os valores e os limites éticos de cada indivíduo continuam a ser confrontados em um país onde o sucesso muitas vezes parece estar acima da justiça.

Um final que dialoga com o Brasil de hoje
O desfecho do remake dividiu opiniões, como todo bom final de Vale Tudo deve fazer. Para uns, foi ousado demais. Para outros, foi genial. Mas o consenso é que a novela conseguiu resgatar a grandiosidade do original e ainda oferecer uma leitura crítica e moderna sobre o Brasil atual.
Com atuações intensas, direção impecável e roteiro corajoso, Vale Tudo encerra sua segunda vida com a mesma força com que nasceu. O último plano, mostrando Odete de pé, diante de uma janela, olhando o nascer do sol sobre o Rio de Janeiro, resume a metáfora central: nada muda de fato. A corrupção acorda cedo e está sempre viva.
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Um fechamento pessoal sobre essa jornada
Cobrir Vale Tudo do início ao fim foi uma experiência única, emocionante e profundamente inspiradora. Ao longo desses meses, acompanhei cada reviravolta, cada virada de roteiro, cada explosão nas redes e cada debate acalorado que o remake provocou. Foi um privilégio enorme vivenciar de perto uma produção que honra o legado de Gilberto Braga e, ao mesmo tempo, ousa questionar o Brasil contemporâneo com a mesma coragem e intensidade.
Como produtora de conteúdo e apaixonada por teledramaturgia, foi uma honra escrever sobre cada capítulo. O trabalho de direção, fotografia, trilha sonora e figurino foi primoroso, e o elenco, liderado por Taís Araújo, Debora Bloch, Bella Campos, Alexandre Nero e Renato Góes, merece todos os aplausos possíveis.
Parabéns a todo o time de produção, roteiro, elenco e equipe técnica da Globo. Vale Tudo não apenas reviveu um clássico, mas reafirmou o poder das novelas como arte e reflexão social. Para mim, foi uma honra imensa cobrir cada momento dessa trajetória e encerrar essa história com o coração cheio de gratidão.

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Sou a Beatriz Costa, formada em Rádio, TV e Internet e pós-graduanda em Design Gráfico em Movimento. Nerd de carteirinha, apaixonada por séries, novelas, filmes e livros (com um amor especial pelo universo de Harry Potter). Na Nerds, atuo como editora e criadora de conteúdo audiovisual, unindo criatividade e paixão pelo mundo geek.





