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Ghost of Yotei (2025) | REVIEW

Ghost of Yotei

Introdução

Confesso que não era uma das pessoas que mais aguardava Ghost of Yōtei. Gostei muito do primeiro jogo, mas, apesar das melhorias visíveis apresentadas nos trailers, o novo título da Sucker Punch não chamava muito minha atenção. Esse sentimento foi amplificado pelo fato de ter jogado Assassin’s Creed: Shadows no início do ano — uma experiência surpreendentemente boa, tanto visual quanto narrativamente. Pensei: “Impossível Ghost of Yōtei superar esse jogo, seja em visual ou história”. Que bom que eu estava errado. Fui completamente surpreendido com o que encontrei neste novo capítulo, que, para mim, entra como o segundo melhor jogo do ano, atrás apenas de Death Stranding 2 e à frente de Clair Obscur: Expedition 33.

Aproveito para agradecer à PlayStation Brasil, parceira de longa data do nosso site, por ter nos enviado o código para review. Esse tipo de apoio é essencial para podermos analisar os jogos com profundidade e transparência.

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Pontos a Melhorar

Embora eu tenha quase só elogios a fazer sobre Ghost of Yōtei, é justo começar pelos poucos pontos que ainda têm espaço para aprimoramento. O primeiro é a pouca variedade de NPCs. Durante as horas de jogo, é comum notar personagens repetidos, tanto em aparência quanto em comportamento. Em alguns momentos, a simplicidade de suas ações chega a parecer robótica, o que quebra um pouco a imersão. Não sei se isso se deve a um orçamento mais limitado quando comparado a outros títulos da PlayStation, mas é um ponto que evoluiu muito, por exemplo, do primeiro Horizon para o segundo.

Outro detalhe está nas expressões faciais, que apesar de claramente melhores do que no primeiro Ghost of Tsushima, ainda carecem de um realismo mais convincente. E por fim, algo que chama atenção negativamente é o fato de quase nenhum item do cenário ser destrutível. Quando comparamos com Assassin’s Creed: Shadows, Yōtei parece um jogo de dez anos atrás nesse aspecto. É uma limitação que não compromete a experiência geral, mas que impede o mundo de parecer mais responsivo e orgânico.

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Mundo Aberto e Exploração

Partindo para os aspectos positivos, é impossível não começar pela vida pulsante do mundo aberto de Ghost of Yōtei. O primeiro jogo já havia sido elogiado por sua abordagem naturalista da exploração — sem mini mapas ou marcadores excessivos —, guiando o jogador por meio do vento, de pássaros e de raposas. Esses elementos estão de volta, preservando aquela sensação quase espiritual de imersão.

Mas neste segundo jogo, a exploração atinge outro patamar. Cada vez que um pássaro dourado aparece, mesmo durante uma missão importante, a vontade de segui-lo é imensa, pois o jogo sempre recompensa a curiosidade. As raposas continuam presentes, e o mapa é construído de forma a instigar constantemente a atenção visual do jogador. As atividades secundárias estão mais variadas e orgânicas do que nunca, e agora há eventos aleatórios em tempo real — algo reminiscentes do que vemos em Red Dead Redemption 2. Sempre há algo acontecendo, e cabe ao jogador decidir se deseja se envolver.

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Lembro de um momento em que, enquanto cavalgava, uma flecha caiu ao meu lado e fincou-se no chão. Nenhuma mensagem apareceu na tela, mas a protagonista, Atsu, comentou que seria bom investigar. Ao seguir a pista, encontrei um pedido de socorro que abriu uma nova missão secundária. Esse tipo de descoberta é recorrente — e cada uma delas é criativa. Em outro caso, ao participar do minigame de cortar bambus, percebi que, toda vez que iniciava o desafio, um raio caía no local. Observei o ambiente e notei várias espadas cravadas no chão. Arremessei-as longe e os raios cessaram, permitindo concluir o desafio. O jogo não precisou dizer uma palavra: apenas confiou na percepção do jogador.

Além disso, os puzzles estão muito mais presentes, tanto em missões principais quanto secundárias. Alguns são simples, outros exigem raciocínio, mas todos recompensam de maneira satisfatória. As missões de caça aos ronins, que eu já gostava no primeiro jogo, retornam aqui de forma expandida: agora há trabalhos de caçador de recompensas com direito a investigações, quebra-cabeças, minigames e até fases inteiras com narrativas próprias.

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Level Design e Direção de Arte

Se o mapa é divertido de explorar, muito disso se deve ao level design refinado. Ghost of Tsushima já era visualmente belo, com sua arte estilizada lembrando uma pintura viva. Mas Ghost of Yōtei eleva esse conceito a outro nível. O mapa é deslumbrante: folhagens e gramados em constante movimento, cores vibrantes, variação climática marcante e enquadramentos cinematográficos de tirar o fôlego. Mesmo sem gráficos hiper-realistas, a composição de cena beira o artístico.

A interação com o ambiente é ampla: a grama e a neve se deformam conforme o movimento dos personagens, os golpes de espada arrancam tufos de grama e deixam marcas, os efeitos de chuva e lama são extremamente realistas. Testei o jogo no PS5 Pro, com ray tracing ativado, e o desempenho foi excelente — especialmente nas cenas explosivas. A iluminação natural é tão bem trabalhada que o uso do ray tracing é quase dispensável.

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As partículas impressionam: folhas reagem ao vento e aos personagens, fumaça se dispersa ao movimento, brasas e neve flutuam dinamicamente, e a chuva interage de forma convincente com o solo. A única ressalva visual vai para a água, que ainda tem aparência simplificada.

O jogo traz também modos visuais cinematográficos: o clássico Modo Kurozawa (preto e branco, com ênfase sonora no vento), o Modo Watanabe (com trilha lo-fi original de Shinichirō Watanabe, criador de Samurai Champloo e Cowboy Bebop) e o Modo Miike, inspirado em Takashi Miike, com muito mais sangue, lama e câmeras fechadas durante o combate. Este último é particularmente impressionante, com partículas de sangue mais detalhadas e realistas, criando uma sensação visceral e intensa.

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O Uso do DualSense e a Imersão

Um dos grandes destaques de Ghost of Yōtei é o uso magistral do DualSense, o controle do PS5. Poucos jogos exploram tão bem os recursos do dispositivo. O touchpad é usado para acender faíscas e montar fogueiras, desenhar, tocar músicas, acionar o modo foto e até prestar reverências, tudo com gestos simples. O sensor de movimento também é aproveitado em minigames de culinária e forja, enquanto os gatilhos adaptáveis simulam esforço físico: é preciso “assoprar” as brasas com pressão gradual, e o controle traduz isso na resistência do botão.

Há também um minigame em que devemos acertar moedas em outras, e a força do disparo é controlada conforme a pressão do gatilho. A tensão do arco, por sua vez, é sentida nas pontas dos dedos, e cada disparo soa e vibra de forma única. Os sons emitidos pelo alto-falante do controle completam a imersão. É, sem dúvida, um dos títulos que melhor utiliza o DualSense até hoje.

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Jogabilidade e Sistema de Combate

Em termos de gameplay, Ghost of Yōtei dá um salto gigantesco em relação ao primeiro jogo. O sistema de posturas foi substituído por uma variedade de armas corpo a corpo — cinco no total —, cada uma com jogabilidade, combos, peso e dano próprios. Ainda há armas de longo alcance, armas de fogo de curto alcance e itens arremessáveis. O combate é mais dinâmico, rápido e brutal, e sentimos o impacto de cada golpe, defesa e quebra de escudo.

Um detalhe que adorei: para dominar uma nova arma, Atsu precisa treinar — não basta apenas empunhá-la. Isso torna o progresso mais realista. Os duelos mano a mano continuam épicos, embora eu ache a estética do primeiro jogo ligeiramente mais marcante. A variedade de inimigos é boa, e eles mudam conforme o ambiente. Em regiões geladas, por exemplo, enfrentamos shinobis que atacam furtivamente, enquanto em outras áreas, inimigos usam o fogo como vantagem.

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O jogo também apresenta opções de dificuldade personalizáveis, o que o torna acessível para diferentes públicos, além de recursos inclusivos para jogadores com limitações. A experiência de cavalgar é uma das melhores da atual geração, permitindo atirar, saltar obstáculos e até dar golpes de impulso com o cavalo.

Além disso, o jogo introduz um companheiro lobo, que auxilia em batalhas e duelos, e uma árvore de habilidades para evoluir Atsu, o lobo, armas e armaduras. É possível personalizar máscaras, chapéus, ornamentos e tintas. Há até uma área que permite trocar entre passado e presente instantaneamente, lembrando as transições de Ratchet & Clank — um recurso incrível que poderia ser usado com mais frequência.

Por fim, há mecânicas de caça, pesca e culinária: ao acampar, podemos cozinhar cogumelos e outros ingredientes, ganhando bônus temporários. Às vezes, até personagens aleatórios aparecem na fogueira, oferecendo informações valiosas — um toque de humanidade e surpresa no mundo do jogo.

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História e Desenvolvimento Narrativo

A história de Ghost of Yōtei pode parecer familiar — uma protagonista que busca vingança após presenciar o assassinato da família ainda criança —, mas o tratamento narrativo é o que a diferencia. A Sucker Punch, como já vimos em inFAMOUS e Ghost of Tsushima, volta a trabalhar a dualidade entre bondade e crueldade. Em Yōtei, acompanhamos Atsu em sua jornada contra os Seis de Yōtei, refletindo sobre honra, vingança e os limites da humanidade.

A trama supera a do primeiro jogo (e, pessoalmente, até a de Assassin’s Creed: Shadows), com uma protagonista emocionalmente complexa, que equilibra força e vulnerabilidade. O enredo traz boas reviravoltas, momentos comoventes e cenas de ação espetaculares, sem forçar discursos ou temáticas artificiais. Atsu é uma personagem com presença, e os secundários também são bem construídos, com motivações claras e coesas. O ritmo narrativo é excelente: até as missões secundárias têm substância e ampliam o mundo e seus conflitos.

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Conclusão

Ghost of Yōtei é, sem dúvida, um dos melhores jogos do ano. Combina uma gameplay divertida e viciante, um mundo aberto belo e vivo, uma narrativa envolvente e uma direção de arte deslumbrante, tudo em um pacote coeso e tecnicamente polido. Mesmo com pequenos deslizes — como NPCs repetitivos, expressões faciais limitadas e pouca destruição ambiental —, o resultado final é notável.

A Sucker Punch demonstra aqui uma maturidade criativa impressionante. Se com esse orçamento o estúdio já entregou uma experiência tão rica e consistente, mal posso imaginar o que poderá alcançar com investimentos equivalentes aos dos grandes estúdios da PlayStation. Ghost of Yōtei não apenas honra o legado do primeiro jogo — ele o supera com elegância.

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